Flores de Grimm

Flores de Grimm

Um atestado de óbito nas mãos, a florista de Copacabana morreu.  Na loja da esquina, onde o vidro encarcerara as rosas recém chegadas, de onde vinham as rosas que coloriam os vasos de Copacabana, de onde vinham o fulgor das travessias, as constantes privações urbanas no caos de bueiros explosivos, tremores nas catacombas, paralelepípedos rachados, pedras portuguesas soltas ao léu, inertes, ou quase inertes, as rosas chegavam nos tons de encomenda e uma dúzia delas parava na mesa de jantar, ou na cômoda, e garantia ares de nobreza.  Os botões disparados expressavam contentamento porque como as mulheres as rosas mentem felicidade desabrocham mesmo prontas a esmorecer pelo caule e a ignorar a água nova e fresca recém depositada no vaso.  As rosas prontificam-se a serem exuberantes, rainhas da loja de esquina.  As orquídeas impressionam mas não são rosas e jamais o serão.  A batalha não se trava entre Rosa Branca e Rosa Vermelha como no conto de Grimm, e sim entre a Rosa e a Orquídea.

 

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