Churros de Saturno, por Kátia Gerlach

Philos

“Não posso evitar de dizer a todos que devemos nos acautelar de frequentar os mutilados ou com imperfeição em algum membro (…). Exemplo do que digo: aqueles que tem os olhos mutilados ou imperfeitos, o nariz, a boca, os pés, as mãos, com má-formação ou que mancam de um dos pés, ou que sabemos serem saturninos”.

As minúsculas manchas metálicas na íris dos olhos cor de ocre de Apolônio irradiavam fios.  Uma teia de aranha se formava sobre a Plaza Alfredo Jarry, uma lona de circo esburacada a cobrir o corpo moribundo recém explodido.  Um policial chutou o morto três vezes para certificar-se de que estava abaixo do horizonte. Zumbido da sirena.  Ronco de motores.  Apolônio observava a barafunda, sentado em um banco, cara a cara com a carraspana que o espreitava do céu.  Chegara ao povoado depois de percorrer a superfície inesgotável do caminho, a pele inteira do mundo…

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